Fogos de artifício e pets: como acalmar seu cão e seu gato no Natal e no Ano-Novo
Plano completo para as festas: o refúgio seguro, o treino que começa agora em novembro, o que fazer na hora do estouro, a identificação que evita fugas e os erros que pioram o medo.

Todo fim de ano é a mesma cena: o céu se enche de cores, e lá embaixo tem um cachorro tremendo atrás do sofá e um gato desaparecido dentro do armário. Aqui em casa a gente aprendeu que o medo de fogos não se resolve na noite da virada. Ele se resolve nas semanas antes. Por isso este guia está saindo agora, em novembro: dá tempo de preparar o seu pet com calma.
Por que os fogos assustam tanto
A audição de cães e gatos é muito mais sensível que a nossa. Eles escutam sons mais agudos e mais distantes, então o estouro que para nós é alto, para eles é ensurdecedor. Os fogos ainda vêm sem aviso, de vários lados ao mesmo tempo, com clarões e cheiro de pólvora. O pet não entende de onde vem o perigo e entra em modo de fuga.
O medo de barulhos fortes é um dos motivos mais comuns de pets que fogem de casa entre o Natal e o Ano-Novo. Muitos pulam muros, passam por portões e se perdem a quilômetros de casa.
Os sinais de que o seu pet está com medo
- Cães: tremor, ofegância sem calor, rabo entre as pernas, orelhas para trás, babar, latir ou uivar sem parar, tentar cavar ou se esconder, grudar no tutor ou tentar fugir.
- Gatos: se escondem em lugares altos ou fechados, pupilas muito dilatadas, corpo encolhido, orelhas deitadas e, às vezes, fazem xixi fora da caixinha.
Comece agora: o treino com sons (dessensibilização)
Esta é a dica que faz mais diferença, e é por isso que vale começar já. A ideia é acostumar o pet ao barulho aos poucos, ligando o som a coisas boas.
- Procure na internet um vídeo ou áudio de fogos de artifício.
- Coloque para tocar bem baixinho, quase imperceptível, enquanto o pet faz algo gostoso: come, brinca ou ganha carinho.
- Faça sessões curtas, de 5 a 10 minutos, uma ou duas vezes por dia.
- A cada poucos dias, aumente um pouquinho o volume. Se ele demonstrar medo, volte ao volume anterior.
Em algumas semanas, muitos pets passam a ignorar o som, ou até a associar o barulho a petisco. Paciência é o segredo: devagar e sempre.
Monte o refúgio seguro
Escolha o cômodo mais protegido da casa, longe das janelas que dão para a rua, e transforme num cantinho à prova de susto:
- A caminha ou toca preferida dele, com uma manta e uma peça de roupa com o seu cheiro.
- Água fresca, um petisco e um brinquedo para morder: mastigar acalma.
- Para gatos, um lugar alto e escondido (uma prateleira, um nicho, uma caixa de papelão forrada) e a caixinha de areia por perto.
- A caixa de transporte coberta com um pano, de porta aberta, vira uma ótima toca para quem já está acostumado com ela.
Apresente o refúgio dias antes, com petiscos e brincadeiras, para ele virar um lugar bom, e não um lugar de castigo.
No dia: o plano para a noite da festa
- Passeie e gaste energia de manhã ou no fim da tarde, antes de começarem os fogos. Pet cansado fica mais tranquilo.
- Ofereça a refeição algumas horas antes da meia-noite.
- Feche portas, portões, janelas e cortinas. Confira muros, telas e frestas por onde ele possa escapar.
- Deixe a TV, uma música calma ou um ventilador ligados para abafar o barulho de fora.
- Se possível, alguém fica em casa com o pet. A sua presença tranquila ajuda muito.
- Nunca deixe o pet preso em corrente ou sozinho no quintal: ele pode se machucar tentando fugir.
Na hora do estouro: pode consolar, sim
Existe um mito de que fazer carinho no pet com medo "reforça" o medo. Não é assim: medo é uma emoção, não um comportamento que se ensina com carinho. Se ele vier até você, acolha com calma, fale baixinho, faça carinho do jeito que ele gosta.
- Fique tranquilo: o pet lê as nossas emoções. Se você se agitar, ele se agita junto.
- Se ele quiser se esconder, deixe. Não puxe o gato de baixo da cama nem o cão de trás do sofá.
- Nunca brigue ou castigue o pet por tremer, latir ou fazer xixi de medo.
- Algumas famílias usam a "faixa calmante": uma faixa ou roupinha justa ao redor do tronco, que dá sensação de abraço. Experimente antes do dia, para ver se o seu pet aceita.
Identificação: o cuidado que traz o pet de volta
Mesmo com todo cuidado, sustos acontecem. Por isso, antes das festas:
- Coloque uma coleira bem ajustada (passam dois dedos entre a coleira e o pescoço) com uma plaquinha de identificação com o seu telefone.
- Tire uma foto atual do pet, de corpo inteiro, para divulgar rápido se ele sumir.
- Se o seu pet tem microchip, confira se os seus dados estão atualizados no cadastro.
E os remédios para acalmar?
Nunca dê calmante ou remédio por conta própria, nem os de uso humano. Alguns podem ser perigosos para cães e gatos e outros até deixam o pet paralisado, mas ainda consciente do medo. Se o pânico do seu pet é muito forte, converse com o veterinário com antecedência: ele avalia o caso e indica o que é seguro.
Uma festa boa para todo mundo
Com treino começando agora, um refúgio caprichado e a casa bem fechada, a virada pode ser bem mais tranquila para o seu pet. E se você puder, prefira e incentive os fogos sem estampido: o céu continua lindo, e os bichos (e os bebês, os idosos e as pessoas com autismo) agradecem. Na nossa loja você encontra caminhas, tocas, brinquedos para morder e coleiras para deixar tudo pronto até as festas.
As orientações deste artigo são informativas e não substituem a avaliação de um médico-veterinário.


